Tesouro Direto: vale a pena trocar um título comprado a uma taxa menor por um de mesmo prazo com uma taxa maior?
Tesouro Direto: vale a pena trocar um título comprado a uma taxa menor por um de mesmo prazo com uma taxa maior?. Quando a taxa de um Tesouro Prefixado ou IPCA+ sobe, a sensação é que apareceu uma versão melhor do que a que você tem na carteira.
O que aconteceu
Você comprou um Tesouro Prefixado pagando cerca de 13% ao ano.
Meses depois, abre a plataforma do Tesouro Direto e vê o mesmo título — com o mesmo vencimento — pagando 14% ao ano.
A primeira reação é pensar que fez um mau negócio.
Por que importa
Os números em evidência (13%, 14%, 8%, 22,5%, 15%) ajudam a medir o impacto no dia a dia de empresas e leitores de Macroeconomia e política econômica.
Consequência prática
Afinal, se agora o mesmo Tesouro Prefixado está oferecendo uma rentabilidade maior, você ficou com a pior versão do título público.
Será que não é melhor vender o papel que você tem para comprar de novo com a taxa melhor?
Pode não ser intuitivo, mas a resposta é não.
Um Tesouro Prefixado que paga mais não necessariamente ficou melhor.
Na verdade, aconteceu justamente o contrário.
Se a taxa passou de 13% ao ano para 14%, é porque o preço do título caiu.
Ele apenas ficou mais barato, por isso está pagando mais.
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Como uma taxa de 13% vira 14%?
Títulos prefixados e indexados à inflação têm um valor pré-definido no vencimento, o chamado “valor de face”.
Antes do vencimento, eles são negociados com desconto, e a diferença do preço de mercado para o valor de face corresponde à rentabilidade, isto é, ao juro contratado pelo investidor ao comprar o título.
No caso dos títulos prefixados que não pagam juros semestrais (chamados de Tesouro Prefixado no Tesouro Direto ou LTN), o valor de face é sempre R$ 1 mil, ou seja, eles sempre valem R$ 1 mil no vencimento.
Vamos utilizá-los como exemplo para mostrar por que não vale a pena vender um título comprado a juro menor para comprar um papel de mesmo vencimento que agora está pagando um juro maior.
Quando você compra um Tesouro Prefixado, você não paga R$ 1 mil, mas um valor menor.
Hoje, esses papéis estão custando algo entre R$ 500 e R$ 600.
A diferença entre esses R$ 500 e poucos e os R$ 1 mil de valor de face corresponde à taxa prefixada.
Até o vencimento, esse título rentabiliza a taxa aos poucos para chegar em R$ 1 mil — esse é o chamado carrego.
Mas existe outro efeito acontecendo ao mesmo tempo.
Todos os dias, o mercado recalcula quanto está disposto a pagar por aquele título público.
É o que se chama de marcação a mercado.
As oscilações de preço e taxa acontecem conforme o mercado vê mais ou menos risco para o futuro da economia.
CONFIRA: CDI, prefixado ou IPCA+?
Veja onde investir na renda fixa com a Selic em 14% Quando você comprou o Tesouro Prefixado com 13% de taxa, o mercado estava vendo menos risco e juros menores no futuro.
Meses depois, quando o mesmo papel começou a pagar 14%, é porque o mercado passou a ver mais risco e juros maiores.
A plataforma do Tesouro Direto mostra a mudança na taxa, mas o preço também variou — e, neste caso, para baixo.
Caso você tenha pagado R$ 650 pelo Tesouro Prefixado a 13% ao ano, quando a taxa subiu para 14%, você certamente viu seu título desvalorizar na carteira.
Da mesma forma, quem comprar o mesmo título pré a uma taxa de 14% hoje, vai pagar menos que R$ 650, pois para chegar aos mesmos R$ 1 mil no vencimento com uma taxa maior, o preço precisa ser menor.
Na prática, o mercado ajusta o preço do título para que ele continue entregando o mesmo valor prometido no vencimento.
Por que a troca costuma dar errado A grande questão é que o título não parou de render só porque a taxa mudou.
Enquanto o mercado recalculava o preço para baixo, o papel que você tem na carteira com taxa de 13% ao ano continuou acumulando a rentabilidade contratada.
O que acontece é que, na tela, a marcação a mercado é mais evidente.
O problema de vender o seu título é que a queda no preço que levou a taxa a 14% pode ter sido maior do que o rendimento acumulado até aquele momento.
É aí que aparecem os retornos negativos na tela.
Mas esse prejuízo só irá se concretizar se você, de fato, vender o papel.
Se o mantiver na carteira, o carrego sempre vai levar o título para mais próximo de R$ 1 mil.
Em outras palavras, para quem leva o título ao vencimento, a rentabilidade contratada na compra do título é garantida, independentemente da variação do seu preço ao longo do prazo.
Assim, quem comprou um Tesouro Prefixado a 13% ao ano vai receber 13% ao ano no vencimento se não fizer a venda antecipada.
Por isso muitos especialistas recomendam ignorar as oscilações de curto prazo do Tesouro Direto e focar na data final do investimento.
É também por isso que vender o título que paga 13% ao ano para comprar o de 14% tende a resultar em prejuízo: o preço do papel caiu, e o carrego pode não ter rendido o suficiente para compensar.
Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.seudinheiro.com.