Contas públicas têm superávit em julho; dívida sobe para 82,5% do PIB, maior nível em mais de cinco anos
Contas públicas têm superávit em julho; dívida sobe para 82,5% do PIB, maior nível em mais de cinco anos. O Banco Central aponta que a dívida pública atingiu 82,5% do PIB em julho, enquanto estatais federais registraram déficit recorde de R$ 8,3 bilhões no acumulado do ano.
O que aconteceu
As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (31).
🔎 O superávit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam acima das despesas do governo.
Se o contrário acontece, o resultado é de déficit primário.
Por que importa
Os números em evidência (82,5%, 1%, 0,61%, 0,25%, 9,34%) ajudam a medir o impacto no dia a dia de empresas e leitores de Macroeconomia e política econômica.
Consequência prática
🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com julho do ano passado, houve melhora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 66,6 bilhões naquele mês (devido ao pagamento de precatórios).
➡️Mesmo com o saldo positivo das contas públicas em julho, o endividamento continuou subindo e atingiu, no mês passado, 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — veja mais abaixo nessa reportagem.
Veja abaixo o desempenho das contas em julho deste ano: governo federal registrou saldo positivo de R$ 11 bilhões;estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 8,5 bilhões;empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,1 bilhão.
Parcial do ano No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas públicas registraram um déficit primário de R$ 78,8 bilhões — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB).
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 82,4 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$,7 bilhões nos sete primeiros meses de 2025.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhõesO texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas.
E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
Após despesas com juros Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 97,6 bilhões nas contas do setor público em julho.
➡️No acumulado em 12 meses até julho, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,24 trilhão, ou 9,34% do PIB.
🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação.
Atualmente, a taxa Selic está em 14% ao ano, patamar elevado.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,15 trilhão (8,67% do PIB) em doze meses até julho deste ano.
Dívida pública Em julho, segundo números do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,6 ponto percentual, para 82,5% do PIB — o equivalente a R$ 10,95 trilhões.
➡️Este é o maior nível para a dívida pública desde abril de 2021, quando somava 82,6% do PIB, ou seja, é o maior patamar em mais cinco anos.
➡️No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 10,8 pontos percentuais.
A alta na dívida está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, e com as despesas com juros.
Dívida Bruta % em relação ao PIB (conceito brasileiro) Fonte: Banco Central ➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza de um conceito internacional — englobando os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em julho: 95,4% do PIB.
A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações.
E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.
➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI).
DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS NO FIM DE 2025 % DO PIB (CONCEITO DO FMI) Fonte: BC (REALIZADO EM 2025) E *ESTIMATIVAS DO FMI Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado "arcabouço fiscal", ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos.
A norma prevê crescimento das despesas abaixo das receitas, e um limite para gastos.
Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de g1.globo.com.