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Após veto da União Europeia, carne vai ficar mais barata no Brasil? Entenda

03 de September de 2026 22 leituras
Após veto da União Europeia, carne vai ficar mais barata no Brasil? Entenda

Após veto da União Europeia, carne vai ficar mais barata no Brasil? Entenda. Bloqueio de exportações para a União Europeia afeta setores de carne bovina e mel A União Europeia suspende, a partir desta quinta-feira (3), as importações de carne bovina e de outros produtos de origem animal do Brasil.

O que aconteceu

Bloqueio de exportações para a União Europeia afeta setores de carne bovina e mel A União Europeia suspende, a partir desta quinta-feira (3), as importações de carne bovina e de outros produtos de origem animal do Brasil.

Com a perda desse mercado, fica a pergunta: o churrasco pode ficar mais barato para os brasileiros?

"É pouquíssimo provável que isso aconteça", comenta Fernando Enrique Iglesias, analista do Safras & Mercado.

Por que importa

Os números em evidência (3,7%, 5,8%, 8,53%, 15,2%, 11,5%) ajudam a medir o impacto no dia a dia de empresas e leitores de Mercado financeiro e investimentos.

Consequência prática

🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem?

Envie para o g1 🔍 A UE anunciou a medida em maio, após excluir o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.

Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento.

Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos.

(entenda aqui) Segundo Iglesias, o volume de carne bovina vendido pelo Brasil à União Europeia é pequeno demais para provocar uma queda nos preços.

Em 2025, o bloco respondeu por apenas 3,7% do volume exportado e por 5,8% do valor das vendas, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Entre os cortes enviados à UE estão filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole, retirados do traseiro do boi, além do filé de costela, que vem do dianteiro.

Na prévia da inflação de agosto, os preços das carnes, em geral, acumulam alta de 8,53%, mostram dados do IBGE.

Filé mignon (15,2%) e contrafilé (11,5%), por exemplo, também registram alta no período.

Segundo Iglesias, nem mesmo os cortes nobres devem ficar mais baratos.

Pelo contrário, ele vê tendência de alta até o fim do ano, impulsionada pelo aumento das exportações e pela menor oferta de bois para abate.

"Houve uma redução significativa dos embarques nos meses de julho e agosto e agora em setembro, mas, a partir de outubro, a indústria frigorífica brasileira vai começar a processar a carne bovina para o mercado chinês", destaca Iglesias.

No início do ano, a China estabeleceu para 2026 uma cota de 1,1 milhão de toneladas para as importações de carne bovina do Brasil.

Até esse limite, a tarifa era de 12%.

Acima da cota, passou a incidir uma tarifa adicional de 55%.

O cenário provocou uma corrida de exportações até junho.

A partir de julho, porém, os embarques perderam ritmo.

A desaceleração deve ser temporária, porque os frigoríficos precisam retomar os abates voltados à China para aproveitar a cota de 2027.

"O produto saindo entre novembro e dezembro, só vai chegar nos portos chineses em 2027, já que o tempo de transporte é de 45 a 60 dias.

Vamos ter uma boa exportação no final do ano", explica Iglesias.

Com menos carne disponível no mercado, os preços tendem a subir.

Ao mesmo tempo, o Brasil atravessa a “baixa do ciclo pecuário”, período em que há menos bovinos disponíveis para abate.

LEIA TAMBÉM Por que a UE proíbe promotores de crescimento e antibióticos de uso humano em animais 'Investimos anos para atender à Europa': pecuaristas buscam novos mercados após veto Entenda o embargo da UE Além da carne bovina, a suspensão atinge as exportações brasileiras de frango, carne suína, mel, pescados e ovos para as 27 nações do bloco.

A decisão pode ser revertida, a depender das negociações entre a UE e o governo brasileiro.

Nesta semana, por exemplo, o bloco realiza no Brasil uma auditoria nas cadeias de produção de frango e mel, que deve ser concluída até sexta-feira.

O resultado, porém, ainda será analisado pela UE, processo que deve levar cerca de dois meses.

➡️ A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação da União Europeia de que o controle feito pelo Brasil sobre o uso dessas substâncias é insuficiente.

As carnes bovina e de frango são os produtos mais afetados, pois estão entre os itens de origem animal mais exportados pelo Brasil para a UE.

Ainda assim, representam uma parcela pequena do valor total exportado pelo país.

(veja no gráfico abaixo) Carne bovina é produto de origem animal mais vendido para a União Europeia.

Arte/g1 Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul.

O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia.

Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus.

Como foram as negociações e o que o Brasil propôs O governo brasileiro negocia com a UE desde o anúncio da decisão.

Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo o uso de alguns antimicrobianos, como avoparcina, virginiamicina e bacitracina.

No mês seguinte, o governo brasileiro propôs à UE um período de transição, mas o bloco recusou a proposta.

Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de g1.globo.com.

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