Exportação de carne bovina despenca em agosto, mas preço médio dispara
As exportações brasileiras de carne bovina in natura perderam força em agosto. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostram que o Brasil embarcou 195,715 mil toneladas no mês.
O volume representa uma queda de 27,12% em relação a agosto de 2025, quando foram exportadas 268,562 mil toneladas. O recuo também foi mais intenso que o registrado em julho, quando os embarques somaram 257,983 mil toneladas. Na comparação mensal, portanto, o volume exportado caiu 24,1%.
Apesar da redução dos embarques, o preço médio da carne bovina brasileira no mercado internacional continuou avançando. Em agosto, a tonelada foi negociada, em média, por US$ 6.165,74, alta de 10,1% ante os US$ 5.600,47 registrados em agosto do ano passado.
Na comparação com julho, o preço médio também subiu. Considerando a receita de US$ 1,56 bilhão e o volume de 257,983 mil toneladas informados pelo Cepea para o mês, o valor médio ficou próximo de US$ 6.046,91 por tonelada. Assim, houve valorização de aproximadamente 2% de julho para agosto.
Menor volume, maior valor por tonelada
O comportamento dos dados reforça um movimento observado pelo Cepea desde o início do segundo semestre: a redução dos embarques não vem sendo acompanhada na mesma intensidade pelos preços.
Em julho, por exemplo, as exportações recuaram 16,83% em volume na comparação anual, mas a receita caiu apenas 6,02%, passando de US$ 1,66 bilhão em julho de 2025 para US$ 1,56 bilhão neste ano. Segundo o Cepea, a diferença entre as variações de volume e receita evidencia a valorização da carne bovina brasileira no mercado internacional.
Em agosto, esse movimento se acentuou. A queda de 27,1% nos embarques ocorreu ao mesmo tempo em que o preço médio avançou 10,1% na comparação anual.
Com o volume e o preço médio informados pela Secex, a receita de agosto pode ser estimada em aproximadamente US$ 1,21 bilhão, valor cerca de 22,6% inferior ao registrado em julho. A comparação mensal, contudo, deve ser interpretada considerando que agosto teve menos volume exportado, enquanto o preço médio apresentou alta.
China pesa sobre ritmo dos embarques
A desaceleração das exportações ocorre em um cenário de maior dificuldade de acesso ao mercado chinês. O Cepea já havia apontado, na análise dos dados de julho, que a redução dos embarques para a China estava relacionada à antecipação das vendas realizadas nos primeiros meses do ano e ao avanço do preenchimento da cota de importação estabelecida pelo país. No início de agosto, segundo informações do governo chinês citadas pelo Centro de Pesquisas, a utilização da cota já chegava a 90%.
Dados divulgados sobre agosto indicam que a China continuou sendo um dos principais fatores por trás da redução dos embarques brasileiros. Segundo levantamento publicado nesta semana, as exportações para o país asiático recuaram 19,2% em volume na comparação anual, enquanto as vendas para outros mercados apresentaram desempenho mais positivo.
O cenário marca uma mudança em relação ao primeiro semestre, quando as exportações de carne bovina ajudaram a sustentar os preços do boi gordo mesmo diante de um consumo doméstico mais moderado. O Cepea destacou que a combinação entre demanda externa aquecida, oferta relativamente ajustada de animais terminados e câmbio favorável sustentou o mercado ao longo dos primeiros sete meses de 2026.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.canalrural.com.br.